O nível de endividamento das famílias brasileiras ainda é considerado baixo para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Mas, entre as que têm dívidas (54,36%), cerca de 38% afirmam não ter condições de pagar as contas atrasadas no mês seguinte. As informações são de pesquisa domiciliar que compõe o Índice de Expectativa das Famílias (IEF), que mede o grau de otimismo quanto à situação socioeconômica do país.
De acordo com a pesquisa do Ipea, 11,08% das famílias afirmaram estar muito endividadas, ao passo que cerca de 72% declararam estar pouco endividadas ou não ter dívidas.
– Olhando para outros países, esse é um nível de endividamento muito baixo, pois a presença de crédito no Brasil também é muito baixa – declarou ontem o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.
Ele alertou, no entanto, que o país deve estar atento ao alto índice dos que disseram não ter condições de pagar as contas atrasadas. Na região Norte, mais da metade das famílias ouvidas pela pesquisa declararam estar nessa situação.
Apesar das dificuldades de quitar as dívidas, os brasileiros estão otimistas em relação à situação econômica do país nos próximos 12 meses. Em uma escala que varia de zero a 100, o Índice de Expectativa das Famílias ficou em 62,75 pontos.
O Ipea realizou a pesquisa em 3.810 domicílios distribuídos por 214 municípios, em todas as unidades da federação.
A PESQUISA EM NÚMEROS
- 54,36% das famílias brasileiras reconhecem ter dívidas
- 45,64% disseram não ter pendências financeiras
- 26,35% dos entrevistados disseram estar pouco endividados
- 11,12% admitiram estar muito endividados
Motivação
- Para 58,03% dos consultados, a situação do Brasil melhorará nos próximos 12 meses
- Apenas 19,24% dos entrevistados consideram que a situação do país piorará no próximo ano